Literatura oral é destaque no primeiro dia do Flin

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016








A abertura do IV Festival Literário de Natal (Flin), ocorrida ontem (14), teve como atração a literatura oral. Poetas populares, aboiadores, cantadores, cordelistas, repentistas e violeiros participaram ativamente do evento realizado na Praça Augusto Severo, na Ribeira.  Duas tendas abrigaram palestras, debates e apresentações musicais. Entre os participantes, o cantor e agora cantador Moraes Moreira.

Na tenda Moacy Cirne, às 17h, houve bate papo sobre o tema “O anjo devasso – A vida de Juvenal Antunes”, com a participação de Antônio Stélio, Vicente Serejo e Abmael Silva. Logo após, às 18h, o militante dos direitos humanos, Roberto Monte, fez uma palestra homenagem a Monsenhor Expedito. 

Passava das 19 horas quando a tradicional agremiação folclórica Araruna deu o ar da graça na tenda Cultural, com seus casais indumentados a dançar valsas. O grupo formado por seu Cornélio Campina, deu lugar à mesa “Literatura oral em Câmara Cascudo”, com a presidente do Instituto Ludovicus, Daliana Cascudo, e o presidente da Comissão Norte-riograndense de Folclore, escritor Gutemberg Costa.

A neta de Câmara Cascudo prosou sobre a importância do avô para a literatura oral, destacando a escrita de diversos livros que aludem ao tema. O primeiro deles é “Viajando o sertão”, de 1934. Em “Vaqueiros e cantadores”, de 1939, Cascudo vai desenvolver uma poética mais robusta sobre o tema, segundo Daliana: “Tudo que Cascudo estuda é para a literatura oral. Ele conhece o rabequeiro Fabião das Queimadas, na década de 1920, e o leva para se apresentar na casa das melhores famílias de Natal”.

Ainda conforme Daliana, na década de 1940, Cascudo publica mais três importantes obras: “Lendas brasileiras” (1945), “Contos tradicionais do Brasil” (1946) e “Geografia dos mitos brasileiros” (1947). Na década de 1950, o folclorista escreve “Literatura oral do Brasil” (1952). “A obra mostra que a literatura oral está inserida na literatura”, afirmou Daliana.

Dois anos depois, Cascudo publica “Dicionário do folclore brasileiro” (1954), com três mil verbetes, resultado de uma pesquisa de 10 anos. Seguem-se as obras “Trinta histórias brasileiras” (1955), “Flor de romances trágicos” (1966), “Coisas que o povo diz” (1968) e “Locuções tradicionais do Brasil” (1970”. 

Em seguida, o escritor Gutemberg Costa discorreu sobre a importância de Câmara Cascudo na obra literária dele. Disse que toda a sua obra foi debruçada na do folclorista. Citou “Religiosidade popular” que pesquisou em “Religião do povo”. Outro tema caro a Gutemberg é o carnaval, que foi escarafunchar nas “Actas diurnas” do mestre. “O trabalho do pesquisador é muito esgotante. Cascudo era muito humilde. Recebia todos muito bem. Ninguém ficava sem resposta”, registrou.

Antes do início do IV Encontro de Repentistas e Violeiros, dentro do Flin, o poeta popular Paulo Varela fez uma homenagem a Fabião das Queimadas, recitando o “Romance do Boi Mão de Pau”. Violeiros e repentistas de vários estados nordestinos afinaram seus instrumentos e aqueceram a voz para arrancar calorosos aplausos da audiência. O Encontro trouxe as duplas Genaldo Pereira (CE) e Zé Carlos do Pajeú (PE), Raimundo Caetano (PE) e Severino Feitosa (PE), Zé Cardoso (RN) e Oliveira de Panelas (PE), Zé Viola (PI) e Felipe Pereira (RN) e Jonas Bezerra (CE) e Helânio Moreira (RN).

“Virei soldado do cordel. Passei de cantor a cantador”, disse um entusiasmado Moraes Moreira, a principal atração do primeiro dia do Flin. O integrante do mítico grupo Novos Baianos cantou e recitou poemas que estão no livro “Poeta não tem idade”, que lançou ontem (14) no Estande da Cooperativa Cultural.

O cantor, compositor e agora poeta homenageou Luiz Gonzaga recitando um cordel que fez especialmente para o Rei do Baião. Em seguida, cantou o clássico “Respeita Januário”. Ainda declamou o Cordel para Seu Lunga. Encerrou a participação cantando os clássicos “Preta Pretinha”, dos Novos Baianos, e “Forró do ABC”.

Segundo dia do Flin 
O Festival Literário de Natal prossegue na manhã desta quinta-feira (15) apresentando o espetáculo infantil “No reino da bicharada”, às 8 horas. Em seguida, às 9h, é a vez do espetáculo musical “Histórias e violas”, pelo violeiro pernambucano Vinicius Viramundos.

Entre 10h e 11h, terá vez a sessão de curtas da Mostra SESC de Cinema Potiguar, com os filmes “O menino do dente de ouro” (2014), “Operação Plástica Flávio Freitas” (2011) e “Abraço de maré” (2013).

O Flin é uma realização da Prefeitura de Natal, por meio da Fundação Cultural Capitania das Artes 9Funcarte), com o patrocínio da Cosern e o apoio da Fecomércio, Sesc-RN, FM Universitária e Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal.