Pesquisadores da UFRN estudam tecnologia Eletroquímica como metodologia para descontaminação de água

terça-feira, 18 de abril de 2017




A tecnologia Eletroquímica é uma alternativa para se aplicar no processo de descontaminação da água, seja ela proveniente de indústrias ou residuárias, de estações de tratamento de esgoto. É o que defende uma linha de pesquisa, desenvolvida desde 2010, pelo Laboratório de Eletroquímica Ambiental e Aplicada (LEAA) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A proposta difere dos métodos mais convencionais utilizados atualmente, como reflete o professor Carlos Alberto Hutle, que tem estado à frente de diversas pesquisas voltadas para essa área. “Geralmente, tratamento biológico, tratamento psicoquímico, cloração, absorção, carboxilado, filtração e decantação são processos cotidianamente usados nas indústrias, em estações de tratamento de esgoto e estações de purificação de água”, aponta.

A eletroquímica tem a pretensão de se fixar como uma alternativa diante de tantas outras desenvolvidas nas engenharias, na química e nas ciências biológicas. O LEAA estuda a aplicação da tecnologia a partir do seguinte procedimento: compartimentos com propriedades específicas (conhecidos como células eletroquímicas), que são alimentados por uma fonte de alimentação elétrica, são colocados em contato com a água que se pretende purificar; a condutividade entre ambos permite que uma corrente elétrica consiga ser transportada ou passada pela água produzindo oxidantes, que reagem com os compostos orgânicos (poluentes). Dependendo da complexidade de suas moléculas, os compostos orgânicos são fragmentados  até resultar apenas em dióxido de carbono e água.

O objetivo é tentar diminuir a maior quantidade possível de compostos orgânicos presentes na água para poder reutilizá-la, devolvê-la ou descarregá-la em algum tipo de sistema aquático sem prejudicar o ecossistema.

Carlos Alberto Huttle explica que o laboratório monitora a eficiência da sua tecnologia sintetizando efluentes provenientes de diferentes situações como chorume, água doméstica, de indústria têxtil, água de lava jato, de estação de tratamento de esgoto, e água contaminada com petróleo, simulando condições reais. “ Trabalhamos em formato bancada, dentro do laboratório e aos poucos vamos elevando os processos. Já temos reatores que chegam a tratar de 10 até 50 litros de água, dependo do caso que a gente quer estudar”, relata.

São variadas as alternativas de aplicação da tecnologia Eletroquímica nas águas. As metodologias mais utilizadas são a oxidação eletroquímica direta, quando trata o efluente, diretamente através da célula eletroquímica do reator, e a oxidação eletroquímica indireta, quando produz um oxidante que vai reagir com um composto orgânico.

Essas duas aplicações são pesquisadas em países como: Estados Unidos, Alemanha, Itália, França, Espanha, China, Japão, Índia, México, Chile, Venezuela, Colômbia e Rússia. O professor Carlos Alberto ressalta que existem outras tecnologias adicionais que estão relacionadas com a eletroquímica, como a eletroredução, por exemplo, que podem ser aplicadas em outros tipos de efluentes. Ele afirma que os critérios de escolha da tecnologia mais adequada vai depender do sistema que está sendo trabalhado. 

“Em determinados casos uma tecnologia não é suficiente para o tratamento de um efluente. Então eu posso dizer que a tecnologia eletroquímica deve ser aplicada em algumas situações, porque em outras ela não dá conta. Como toda outra pesquisa, precisa de mais tempo para ser desenvolvida para que seja aplicada em casos nos quais ela é pouco eficiente. A tecnologia eletroquímica surge como uma alternativa, não como uma solução global para todos os problemas”, destaca.

Por João Sales
Fotos: Anastácia Vaz e Wallacy Medeiros