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UFRN realiza pesquisa inédita sobre principal vírus que afeta a carcinicultura

terça-feira, 18 de julho de 2017




White Spot Syndrome Virus tem sido considerada uma das doenças
mais devastadoras para a carcinicultura mundial


O professor do Departamento de Bioquímica (DBQ) do Centro de Biociências (CB) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Daniel Lanza e seu grupo de pesquisa, tem procurado desenvolver, no Laboratório de Biologia Molecular Aplicada (LAPLIC), ferramentas moleculares para detecção de patógenos de interesse zootécnico e médico,  de forma a auxiliar o desenvolvimento de áreas estratégicas para a economia do Estado do Rio Grande do Norte e do Brasil.

Uma das linhas de pesquisa do grupo compreende o estudo dos principais vírus que afetam a carcinicultura no país e a aplicação de sistemas moleculares para detecção e monitoramento dessas doenças virais, como a Síndrome da Mancha Branca (WSSV). Esse trabalho tem sido realizado desde 2012 e já têm revertido alguns resultados para pequenos e grandes produtores de camarão no Estado do RN.

Por meio de estudos de epidemiologia molecular, a equipe do LAPLIC já conseguiu determinar que pelo menos cinco variantes do WSSV ocorrem no Rio Grande do Norte, e que essas variantes podem estar associadas a diferentes perfis de desenvolvimento da doença. Outra aplicação, que tem sido explorada com sucesso pelo setor produtivo, consiste na utilização da detecção molecular para seleção de camarões reprodutores livres deste vírus, no intuito de evitar a dispersão dele por meio das pós-larvas.

A Síndrome da Mancha Branca, uma doença causada pelo White Spot Syndrome Virus (WSSV), tem sido considerada uma das doenças mais devastadoras para a carcinicultura mundial. Em três dias as taxas de mortalidade nos viveiros podem atingir números superiores a 90%, dizimando a produção.

Até o momento não existem antivirais ou vacinas disponíveis, a melhor alternativa para o setor produtivo é a identificação precoce do patógeno por meio de técnicas moleculares, e a adoção de boas práticas de manejo e biossegurança. Para que seja realizada de forma eficiente, a identificação molecular de vírus depende da seleção de marcadores genéticos que contemplem diferentes regiões do genoma, de forma a eliminar o efeito de mutações. Para isso é necessário um estudo detalhado dos genomas obtidos a partir de amostras biológicas da região alvo de ocorrência.

Dessa forma, a equipe do LAPLIC tem procurado estabelecer uma relação de parceria com o setor produtivo, no intuito de trocar experiências e aplicar conhecimentos que favoreçam as atividades regionais e nacionais. 

Identificação molecular de patógenos de importância econômica

A equipe atua no desenvolvimento de novas tecnologias para detecção e controle de patógenos de importância zootécnica e para saúde humana.

“Temos especial interesse no estudo de genomas virais e no desenvolvimento de ferramentas moleculares para detecção e controle de doenças virais. Nossa expertise inclui sequenciamento e análise de sequências, análises filogenéticas, seleção e validação de marcadores de DNA ou RNA, criação e validação de protocolos de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), caracterização estrutural e funcional de ácidos nucleicos in silico e in vitro, rastreamento genético e desenvolvimento e produção de aptâmeros” destaca o professor.

Atualmente o laboratório atua em três linhas de pesquisa: estudo da biologia de vírus que acometem a carcinicultura e desenvolvimento de ferramentas moleculares para detecção e controle; desenvolvimento de ferramentas moleculares para auxílio no diagnóstico de doenças infecciosas em seres humanos e triagem e produção de aptâmeros com potencial biotecnológico.